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SUAVE E LIVRE A CAMINHO DE SI MESMA

Jornal Maturidades – Qual o seu nome completo?

Entrevistada – Rosa Salerno Rossi.

JM– Com quantos anos você está?

Rosa Salerno Rossi – Estou com 76 anos.

JM – Desde quando está na UAM-PUC/SP?

Rosa – Desde os meus 60 anos, ou seja, há 16 anos. Quando eu entrei foi uma época que marcou muito. Eu tinha passado por uma experiência muito difícil, com a perda repentina do meu marido. Depois de três anos da morte dele, quando parecia para as outras pessoas que eu estaria mais firme, era quando eu estava realmente me sentindo mais fragilizada.

JM – Como você agiu?

Rosa – Eu precisava arrumar alguma coisa para saber onde eu tinha ficado. Eu comecei a namorar meu marido muito jovem. Fiquei casada por 40 anos e vivi muito em função dele. A partir do seu falecimento dele, emprego de mãe eu já não tinha mais. Os netos também foram crescendo. Aí outras perdas aconteceram e de repente eu me via, mesmo com família, quase sem função.

JM – Do que você sentia que precisava?

Rosa – Eu precisava arrumar alguma coisa para saber o que poderia ser feito por mim e comigo mesmo. Principalmente em função da própria família, porque eles também, como eu, sentiram a perda, mas eu precisava ficar bem para que eles sentissem confiança de que eu ficaria bem e a coisa iria funcionar diferente.

JM – Como você conseguiu sair dessa situação?

Rosa – Graças a Deus, por intermédio de uma colega que eu conheci no Parque do Ibirapuera, no dia em que eu completei 60 anos... Foi um encontro num dia que eu fui andar um pouquinho, porque eu tava péssima. E, ela me convidou para eu fazer a Faculdade da Terceira Idade.

JM – Coisas do destino?

Rosa - ... [pensativa] Ela estava assistindo a um espetáculo na Praça da Paz do parque e foi uma pessoa que eu olhei e gostei, achei ela alegre. Sentei perto, começamos a conversar. Ela também estava passando por uma situação difícil, bastante parecida com a minha.

JM – Como você encarou o convite dela?

Rosa – Eu pensei ‘não faço nem lista de supermercado, vou fazer faculdade nessa idade?’ Mas eu fui conhecer.

JM – Quem foi esse anjo?

Rosa – Wanda D’Amatto.

JM – Como foi na UAM da PUC?

Rosa – Fui muito bem recebida - com respeito, carinho e amor - pela Naidinha. Naquele dia eu cheguei, e subindo a rampa ela foi a primeira pessoa que eu vi. Ela abriu os braços com seu sorriso muito bonito e me disse ‘tenho certeza que você encontrou o seu lugar. Persista’.

JM – O que você faz hoje na Universidade Aberta?

Rosa – Graças a Deus, estou aqui já há 16 anos. Sou representante de classe e com isso faço hoje um pouco do que a Naidinha sempre fez, que é receber as pessoas que estão chegando à faculdade pela primeira vez.

JM – O que a UAM oferece aos seus alunos?

Rosa – Temos excelentes coordenadores, professores, excepcionais colegas e amigos. Por intermédio dos professores acabamos tendo outras opções.

JM – Destaca algum professor dentro desse rol de profissionais que você encontrou por lá?

Rosa – Sim. Marco Antonio Chimento. Ele faz parte de uma fase da minha vida. Conheci-o na UAM e hoje faço parte do ‘Grupo Reflexão’, que ele criou. Participo também do seu grupo ‘Corpo Sem Idade, Mente Sem Fronteira’. São oportunidades de pensar quem somos nós realmente e onde podemos melhorar.

JM – Estamos falando da ‘melhor idade’?

Rosa – Eu não concordo. Acho que todas as idades são boas, dependendo daquilo que você possa fazer para você naquele momento. É uma idade maravilhosa sim, mas ela lhe tira algumas condições: você tem perdas, físicas também.

JM – Qual é a melhor fase da vida?

Rosa – Aquele em que você é só filha.

JM – O que fez você ficar na UAM?

Rosa – Foi a busca de procurar onde eu tinha ficado.

JM – Qual o professor que marcou você, de alguma forma especial, além do professor Chimento?

Rosa - Também tem o professor Nivaldo Scrivano. Ele pergunta quem é você? Você começa a falar da sua família, dos netos e antes que você continue, ele diz ‘você está me dizendo sua função dentro da sua família, mas quem é você?’ E era justamente o que eu vinha buscando. A Dra. Alda Ribeiro também. Uma pessoa que até hoje, quando eu tenho oportunidade, procuro estar perto dela. Ela faz com que você olhe para você, mas também perceba a sua saúde. Faz com que você se preocupe com você em todos os sentidos. Os livros dela são de cabeceira para mim. A professora Maria Isabel Allegrini... Nossa, temos tantos professores bons. O fato é que o conjunto deles todos é que fazem de mim uma pessoa melhor. Eu acredito nisso!

JM – Como você seria sem frequentar a UAM?

Rosa – Não me vejo hoje sem ter esse grupo, essa universidade para vir. Não sei... Acho que eu seria mais chata. É uma troca muito grande.

“Quem está na PUC, como eu, encontrou o caminho para vivenciar esse ciclo. Nós já tivemos um passado, não sabemos quanto teremos de um futuro, hoje estamos vivendo o presente. Vivendo esse presente, se dê um presente a si mesmo. Se dê a oportunidade de saber que em qualquer faixa de idade, em qualquer fase da vida, principalmente na chamada ‘terceira, melhor’, como queira chamar, o importante é saber que você pode ser uma pessoa melhor, pode aprender, ter amigos, ensinar, dar, receber... Você tem um universo muito rico dentro de você, sendo da terceira idade.”
Rosa Salerno Rossi


OUTROS ASSUNTOS

JM – Como é sua família?

Rosa – Tenho 2 filhos casados, João Carlos e Rosa Maria; 2 netos do meu filho [Rodrigo e Milena] e 1 neto por parte da minha filha [Diego].

JM – Como é a Rosinha mãe?

Rosa – Eu teria que perguntar para os filhos, né [risos]? Eu me sinto bem como mãe. Possivelmente, tem muita coisa que eu deixei de fazer. Quando olhamos para trás, sempre achamos que poderíamos ter feito alguma coisa melhor. Se na idade entre 45 e 48 anos, que você ainda tem os filhos por perto, eu soubesse o que sei hoje, com certeza, teria sido uma mãe muito melhor. Hoje, fico muito bem com eles e gosto de estar com eles. Não dou trabalho, mas palpite eu dou sim, embora já tenha perdido a pretensão de achar que eu sei tudo o que é melhor para eles. Aprendi a ser melhor, depois da faculdade.

JM – Hoje você mora sozinha?

Rosa – Moro. Tenho o privilégio de morar sozinha. Morar sozinha não é me sentir sozinha. Minha filha mora perto de mim, mas ‘perto o bastante, longe o suficiente’. Mas meus filhos são muito presentes. Também a gente vai adquirindo uma individualidade meio complicada. Você gosta das suas coisas do jeito que você é. Não me vejo hoje dividindo meu espaço com outra pessoa.

JM – Parece um processo natural?

Rosa – Eu acho.

PENSAMENTOS

JM – Como você encara o envelhecer e como você vê as pessoas do seu convívio enfrentando esse processo?

Rosa – A PUC, realmente, me ajudou muito. Tem horas que eu não me acho velha, entende? Tenho muitas amigas que, como eu, não se sentem envelhecendo. A gente se sente aproveitando o melhor que podemos fazer nessa idade. Sinceramente, eu não me percebi envelhecer, porque tem muitas coisas que eu faço hoje, que eu não faria mais jovem. Eu não fiz. Por exemplo, eu não fiz faculdade quando eu era jovem. Recentemente, eu fiz a tirolesa. Eu nunca tinha viajado com tênis velho e uma mochila. Você vai adquirindo uma força interna diferente. A gente se renova por dentro e não percebe tanto o envelhecimento externo.

JM – Como você é com você?

Rosa – Sou cuidadosa com a saúde, com meu conforto. Penso no meu bem-estar físico, mental e espiritual. Três propostas minhas nas quais eu tenho tido desafios. Estou empenhada em cada vez estar conhecendo mais de mim mesmo.

JM – A Rosa nas horas vagas...

Rosa – Leio, mas não gosto de ficar em casa, nem fazer artesanato. Tenho um mosaico de fotos e fatos... Um xodó! Vou ao cinema, gosto de teatro...

JM – Espiritualidade... Como está essa busca?

Rosa – Eu me qualifico como Católica, mas Ecumênica, porque em cada religião e filosofia de vida eu aprendi e aprendo. Gosto muito do Budismo, do Espiritismo, do Sheisho-No-Ie. Sou Católica, respeito minha religião. A minha meta é ser uma pessoa melhor e coerente comigo e com as pessoas que convivem comigo.

10 FATOS MARCANTES da vida da Rosa

1. Fase de filha
2. Fase do casamento
3. O nascimento e a convivência com os filhos
4. As formaturas dos filhos
5. Os casamentos dos filhos
6. Nascimento dos netos, dos 3, mas em especial o do Rodrigo, que é o mais velho. Ver meu filho com meu neto no colo, foi uma emoção maravilhosa
7. Ter conhecido a PUC
8. Ter conhecido a Naidinha
9. Minhas duas primas-irmãs Nina e Dirce
10. O feliz reencontro, depois de 40 anos, com a amiga e companheira Sara Fiks

JM – Morte e vida...

Rosa – Eu acredito que existe algo programado para mim, para você... Por isso umas escapam de uma tragédia e outras assumem aquele lugar. Quando eu não estiver mais aqui, acredito, dentro do Espiritismo, que eu vou chegar lá e vou encontrar as minhas pessoas queridas. Acredito nisso e me faz bem acreditar.

Rosa Salerno Rossi, Rosinha para os familiares, colegas e amigas. Nestes últimos 16 anos, cruzamo-nos muitas vezes nos corredores e lanchonetes da PUC, mas desde o primeiro dia em que a vi, por ocasião da aula inaugural, quando os novos alunos são apresentados, notei seu amável sorriso, simpatia e elegante discrição. Não fui colega de classe de Rosinha, mas sempre que a encontro é um prazer sentir seu abraço sincero e olhar afetuoso.”

Ignez Ribeiro e Rosa Salerno Rossi

Texto e Fotos: Célia Gennari e Ignez Ribeiro
 
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