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  Dar Milho aos Pombos?  

Meu Heroi Favorito

meu heroiAos cinco anos de idade, carregava uma caixa de engraxate. Atrevia-se a ficar na porta da barbearia para ganhar alguns trocados. Com eles, comprava alguns pães e leite, que eram muito bem-vindos numa casa onde tudo era muito escasso. Só a pobreza era grande.

Aos sete ou oito anos, já mais esperto, confeccionou um carrinho de rolimã. Seu pai era mecânico e lhe fornecia as rodas usadas. Era seu brinquedo preferido. Disputava corrida com os amigos da rua onde morava.

A pobreza continuava, apesar da sua ajuda. Cada vez pior. Sem nunca reclamar de nada, adaptou um caixote de frutas no carrinho e carregava compras de madames na feira. Com isso, o faturamento aumentou e seu entusiasmo pelo trabalho também.

Aproveitava todas as oportunidades para ganhar um troco a mais, sem nunca recusar nenhum trabalho.

A vida continuava. Além do trabalho, estudava no grupo escolar, brincava muito com os amigos da rua. O pai era um homem bom. Ignorante, lhe dava muitas surras. As professoras com frequência ameaçavam ir à polícia pelos maus tratos ao menino.

Sua mãe, bordadeira, tentava contornar as situações familiares, inclusive nas economias que fazia para comprar alimentos.

Foi brincando na rua, próximo de completar seus 14 anos, que um senhor saiu da gráfica em frente e incomodado com a algazarra da garotada, disse-lhe:

- Menino! Você já tem idade e tamanho para trabalhar! Pare com esse barulho!

Ele, em resposta, disse:

- Se o senhor me arrumar um lugar, eu posso começar agora!

Assim ele iniciou sua vida profissional, com "carteira assinada". Começou como office-boy. Sua caligrafia era exemplar. Isso fez com que ele ficasse responsável pelos livros da contabilidade e correspondências.

O tempo passou. Até que o gerente do banco, onde a gráfica mantinha conta, ofereceu-lhe uma nova oportunidade. Ele via nesse jovem uma pessoa de grande futuro. O dono da gráfica, que gostava muito do rapaz, deixou-o ir, confiante no seu potencial.

Ele foi exemplar. Mesmo servindo o exército não deixou de trabalhar. Fazia a compensação noturna de cheques. Dos bancários, era o melhor. Esperto, ágil, inteligente e o melhor de tudo, sempre alegre, sorridente e bem humorado. Já naquela época ele era feliz porque sabia que, sozinho, havia absorvido para si toda a mantença do lar. Pagou as dezesseis cirurgias do pai e garantiu tudo aos seus velhos, até o dia de suas mortes.

Sua caminhada continuou. Do banco, partiu para uma empresa de metais e em seguida assumiu como tesoureiro de uma multinacional. Enquanto tudo isso acontecia na sua vida profissional, dedicava-se aos estudos.

Aos 19 anos apaixonou-se por uma garota. Após seis anos de namoro, veio o casamento. O mais simples, porém o mais feliz. Antes de se casar, comprou seu próprio imóvel com toda a mobília.

Casado e já com um filho, cursou a faculdade de Direito. Quando se formou já tinha uma filha também.

Sua simplicidade e humildade fizeram dele um grande campeão. Um lutador nato que entra em todas as batalhas. Seu extremo entusiasmo e amor fazem com que as lutas pareçam sempre brincadeiras de criança.

Sua ingenuidade, maliciosa, e seu atrevimento, honesto, fazem a vida parecer-lhe tão boa e tão fácil como quando ele fez sua primeira caixinha de engraxate.

Esse é o meu super herói, meu marido. O meu preferido.

Eunice Palazzi

Postado em 10/08/2012 no blog MULHERES DE QUARENTA


 
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